Introdução à Percepção Unitária Universidade de Guadalajara
Em pleno século XX, a humanidade redescobre a Percepção Unitária, graças a Jiddu Krishnamurti e aos diálogos que susteve este que escreve com ele e com o Prof. David Bohm durante mais de 10 anos, desde Março de 1975.
O que se recupera, para aquele que estude seriamente este tema, é uma função cerebral sem uso há quase 800 mil anos.
Trata-se do completo despertar, que ocorre depois de um indivíduo despertar do sono.
Já desperto, o indivíduo tem potencial acesso a um segundo e completo despertar (dentro da vigília consciente), que é a mais completa encarnação no próprio corpo.
Este completo despertar, esta completa encarnação consciente, no próprio corpo, é a Percepção Unitária.
Nessa década de diálogos com Jiddu Krishnamurti e David Bohm, inicialmente chamámos-lhe “Consciência Triangular”.
A Observação intensa torna irrelevantes o Observado e o Observador.
Quando compreendemos que essa intensa observação é o mais importante da consciência, então chamámos-lhe Percepção Unitária, algo que é, epistemologicamente, mais correcto.
A palavra consciência não tem uma definição sólida na Psicologia actual.
A teoria da consciência é fragmentada e confusa, porque a linguagem limita e distorce a consciência.
Ainda se confundem com a palavra consciência, as palavras mente, memória, conduta, vigília, “eu”, emoção, pensamento e conhecimento.
Em Percepção Unitária ocorre apenas a intensa observação, na qual se dissolve esse produto do pensamento que é o “eu” (e que é, por vezes, necessário).
Uma vez, um tal João disse-me que ao despertar pela manhã ele é João e não Ruben.
Mas o joão com minúscula, dos sonhos do adormecido João, com maiúscula, desaparece quando o João com maiúscula desperta. E se o João com maiúscula, passa da sua vigília habitual em Percepção Fragmentária (Âmbito C), à vigília verdadeira do Âmbito B, em Percepção Unitária, também desaparece do inconsciente o João com maiúscula.
Quer dizer, na pura observação da Percepção Unitária, cessa o observador.
Mas no Âmbito C funcional, o “eu” organiza a memória para predizer e operar no ambiente.
Este mesmo “eu” funcional pode desaparecer em Percepção Unitária, quando não é necessário predizer e operar.
Mas não existe um centro nervoso anatómico que funcione como “eu”.
A memória produz o “eu” para lhe dar continuidade, mas o centro nervoso chamado “eu” não existe.
O “EU” é um produto do pensamento. Nem mais, nem menos.
A Percepção Unitária não é percepção sensorial.
Com certa flexibilidade semântica, há que diferenciar a interpretação que ocorre na percepção sensorial, da ausência de interpretação que há em Percepção Unitária.
Em Percepção Unitária, a percepção ocorre ANTES da intervenção da interpretação do pensamento.
É muito curioso que os maiores cérebros do século XX não tenham podido conceber nada na mente humana que não fosse pensamento, memória e conhecimento.
Isto também tornou impossível descobrir o que existe mais além do pensamento.
Nisto não se diferenciaram (com excepção de Leibniz e o seu conceito de Mónada, ou de David Bohm com o seu conceito de Holokinesis) dos cérebros mais destacados dos últimos 300 anos.
Por exemplo, Alfred North Whitehead, escreve “Ciência e o Mundo Moderno”. Ali, cita Descartes no capítulo “Ciência e Filosofia”, dizendo:
“Eu creio ver luz, escutar um som e sentir calor, isto não pode ser falso. Isto é o que em mim se denomina adequadamente por perceber (sentire em Latim), o qual não é mais do que pensamento.”
Obviamente, Descartes não só não pôde perceber unitariamente, como começa por denominar “crença” às suas percepções.
Reduz as suas percepções a uma forma de pensar absolutista, que é a crença.
Para Descartes, perceber, sentir e pensar eram a mesma coisa!
Muitos, hoje em dia, continuam a pensar assim.
Para cúmulo, em alguns idiomas como o alemão, não há muita diferença entre pensamento e percepção.
Por isso estamos conscientes de que apesar da linguagem polida e simples, pode acabar por ser difícil compreender o que dizemos, que a Percepção Unitária é o facto mais importante da mente, o menos conhecido, e que pensar na Percepção Unitária não é Percepção Unitária.
Também dizemos que o pensamento racional não é permanentemente necessário. Contudo, este mesmo pensamento racional pode ser abarcado pela Percepção Unitária.
É possível meramente pensar acerca da Percepção Unitária, mas isso é apenas mais um pensamento.
Por outro lado, pensar enquanto estamos em Percepção Unitária é algo completo e profundo, que vai mais além do pensamento.
O grande Whitehead cita também Henry Sidgwick: “ É objectivo primário da filosofia unificar completamente, trazer a uma clara coerência, todos os sectores do pensamento racional.”
Com estes antecedentes reducionistas talvez se torne difícil aceitar ou compreender o que dizemos; que o pensamento poderá unificar fragmentos pequenos da realidade para construir um grande fragmento da mesma (uma teoria científica por exemplo), mas o contacto com a realidade indivisa só pode ocorrer mais além do pensamento, através da porta estreita que é a Percepção Unitária.
Em Percepção Unitária não “unificamos”, damo-nos conta de que “tudo já está unido”.
Whitehead parece bloquear esta compreensão quando insinua que “Leibniz e a novidade das suas mónadas estão nos extremos que jazem fora dos limites de uma filosofia segura.”
Whitehead expulsa Leibniz da sua concepção de filosofia ao pô-lo fora da filosofia devido ao seu conceito de Mónada.
Claro que ainda Whitehead não sabia que em 1957 Keith e Upatnicks construiriam o holograma (do grego holón = todo e grama = escrita) na Universidade de Michigan nos Estados Unidos, baseando-se em sugestões de Denis Gabor, quem por sua vez tinha utilizado o Cálculo Diferencial e Integral de Leibniz.
Quando Gabor recebe o Prémio Nobel, publicam-se novamente na Europa os livros de Leibniz, 200 anos depois da sua morte.
Surpreendentemente, contudo, ainda hoje, em pleno começo do século XXI, é maior a influência de Descartes e Whitehead que a de Leibniz, Gabor e o holograma.
Whitehead não parece conceber a religião mais do que “como uma maneira de pensar”.
Jiddu Krishnamurti disse, referindo-se a quem escreve, no ano de 1985 em Londres
(traduzo do inglês parcialmente):
O que é a criação?
Existe diferença entre criação divina e invenção humana?
Falávamos no outro dia com um médico excelente, um médico de primeira classe, não um desses médicos que fazem dinheiro, mas sim um médico com um bom cérebro.
Estava ele a dizer-me que há uma parte do cérebro que pode ser sempre activada. Posso estar a dizer isto de uma forma errada, cuidado, não aceitem inteiramente o que diz sobre o assunto este que fala.
Ele usava uma palavra técnica que eu não conhecia.
É melhor não entrar por aí, porque é algo complicado.
Pode o cérebro entender o que é a criação?
Ou o cérebro está baseado na experiência, no conhecimento, em acumular, aprender, memorizar, etc.?
Pode esse cérebro entender o que não se pode medir?
Entendem o que digo?
Estamos juntos nisto?
Nunca mais usaremos a palavra meditação. Espero que não se importem.
Essa palavra significa medida, em sânscrito e nos dicionários etimológicos.
Não discutiremos essa palavra, porque se revelou ser uma palavra estúpida.
Sentar-se numa determinada postura, respirar de certa maneira, concentrar-se e fazer um tremendo esforço para alcançar o quê?
A cenoura que se encontra diante do burro?”…
Necessidade de estudo e diálogo:
A enorme importância da re-descoberta da Percepção Unitária merece o estudo da Obra Escrita sobre o tema e um diálogo constante para esclarecer o que é e o que não é a Percepção Unitária.
Estes são os livros que se podem ler hoje sobre este tema extraordinário:
Livros sobre Percepção Unitária, o feito mental mais importante)
“A Percepção Unitária”
“O Novo Paradigma em Psicologia”
“Psicologia do Século 21”
Inéditos:
“O Profundo da Mente”
“A Mente e a Realidade Indivisa”
“RFG 2002-2003”
“RFG 2004-2005”
“RFG 2006”
De Luís Córdova:
“Resumo de Diálogos sobre Percepção Unitária”
Em inglês:
“The Great Leap of Mind”
A Percepção Unitária é a essência última da psicoterapia.
Essa essência não se encontra no passado nem na busca no passado.
Trata-se de uma função cerebral, por isso não é uma teoria, uma crença, uma filosofia ou uma técnica psicoterapêutica.
A Percepção Unitária é um facto mental, ainda não estudado na Psicologia Académica.
É tão importante como a memória ou o pensamento.
Se bem que a Percepção Unitária apenas ocorre no presente imediato, não podemos dizer que se trata de viver o presente.
O presente pode ser vivido em três âmbitos mentais diferentes: C, B e A.
Muitas vezes disse que a Percepção Unitária é o mais importante da psicologia humana.
Isto pode soar a “fanatismo absolutista”, mas na realidade não faço mais do que tentar informar sobre algo que vivi na minha própria experiência e não algo que li em livros.
Digo um pouco metaforicamente, apesar de tentar não usar metáforas para não criar confusões sobre algo tão importante, que existem três âmbitos psicológicos, mas nós conhecemos apenas um.
Âmbito C:
Chamemos-lhe a esse âmbito psicológico que é a nossa prisão psicológica e que é tudo o que conhecemos, “âmbito C”. Nesse pequeno circuito psicológico cabem a linguagem, o símbolo, o número, a memória, a imaginação, a fantasia, o pensamento, as crenças, as ideologias, a ciência, a metafísica, a filosofia oriental e a filosofia ocidental. Digamos que o âmbito C é todo o conhecido, por assim dizer, puro pensamento.
O pensamento oriental continua a ser pensamento e com o pensamento não podemos ir para além dele.
Mas é mais além do pensamento e da palavra, mais além do “EU”, onde existe, na nossa própria mente, a Percepção Unitária.
Os templos, as organizações chamadas “religiosas”, as hierarquias, os rituais gratuitos ou bem elaborados das assim chamadas “igrejas” ou organizações religiosas, a música, etc., não são mais do que produtos do pensamento e nem mais do que parte do âmbito C, tudo o que conhecemos.
O sagrado começa mais além do conhecido, uma vez que abandonemos todo o conhecido, começa a vida verdadeira e honesta em Percepção Unitária.
No evangelho cristão original, isto estudava-se com a palavra grega “metanóia”, que quer dizer “ir mais além de todo o conhecido”, mas que foi mal traduzida como “arrependimento” ou “conversão”.
Pode ser um pouco comovedor compreender que 99% dos seres humanos em todo o planeta, nascem, vivem, reproduzem-se, educam-se, trabalham e morrem no âmbito C da mente: só memória, pensamento, imaginação e o “EU”.
Uma vida imaginária.
Linguagem do âmbito C:
A linguagem egocêntrica, a linguagem hipnótica e temporal utilizam-se na vida diária como a conhecemos no âmbito C.
Estas linguagens começam a desaparecer espontaneamente quando o ser humano vive no âmbito B, que é a Percepção Unitária.
Graças à Percepção Unitária, entende-se que o tempo é irrelevante, apesar de ser também absoluto e relativo. Contudo, em Percepção Unitária descobre-se a hipnose geral (que é a essência do pensamento), na qual vivemos, e o crescente egocentrismo divisório da humanidade.
As três linguagens mencionadas usam-se nas técnicas hipnóticas e psicoterapêuticas, que são o produto do pensamento e da sua Percepção Fragmentária.
A sobrevalorização do pensamento, que nos faz crer que não existe nada fora do âmbito C (fora do conhecido), trouxe consigo a degeneração da humanidade, a crescente divisão entre os seres humanos em ricos e pobres, nações, crenças, religiões organizadas, ideologias e diversas filosofias.
Âmbito B:
Mas existe outro âmbito psicológico a que podemos chamar “Âmbito B”, o âmbito bom.
As suas leis e o seu funcionamento não são os do Âmbito C.
O observador (você e eu) pode pensar e conversar sobre o âmbito B mas assim não se entra neste âmbito psicológico bom.
Pensar e falar sobre o âmbito B continua a ser âmbito C.
Este âmbito B é o da Percepção Unitária, que defino como perceber todo o perceptível ao mesmo tempo com a mente em completo silêncio.
Se o pensamento e a linguagem pensada continuam (apesar de se tentar detê-los por um momento) então há que perceber a palavra e a imagem pensadas como se fossem mais outro som.
Aquele que escuta em Percepção Unitária não escuta “algo”. Escuta todo o som ao mesmo tempo, em silêncio mental, sem dar nome aos sons.
Toda a minha Obra Escrita trata deste tema, que considero o mais importante para o ser humano: a Percepção Unitária.
Âmbito A:
Se se vive no Âmbito B, âmbito que abarca o âmbito C, não como uma técnica que se pratica por momentos, mas como forma constante de vida, então pode ocorrer como contingência (e não como consequência) o Âmbito A, que eu chamo “Aquilo” – ou sagrado – já que não se pode descrever nem definir. “Aquilo” é como o âmbito celeste da psicologia.
Esse âmbito A é a consciência cósmica, a mente universal que se percebe psicologicamente como harmonia, ordem, gozo de viver, vive-se contente por nenhuma causa, grande energia, que se sente concretamente em todo o corpo e amor por todos os seres vivos.
Vivi nesse espaço do sagrado, e é, sem dúvida, algo bendito e inefável.
Quando tratei de descrever a minha experiência no âmbito A aos meus amigos de todo o planeta, os meus amigos cristãos disseram que tinha chegado até mim o Espírito Santo.
Entre os que afirmaram isto estava o Custodio do Santo Sepulcro, o monge e sacerdote franciscano Rafaele Angelisanti.
Os meus amigos hindus disseram-me que eu era um Boddhisatva Viriadika.
Na Índia alguns viram-me como um iluminado.
Quando disse a Jiddu Krishnamurti em 1979, que “Aquilo” (o Âmbito Sagrado) tinha chegado, disse-me que já o sabia e pediu-me: “Fale e não espere nada nem nenhuma coisa.”
A iluminação tem como feito essencial perceber que os seres humanos são todos UM.
A iluminação (que “o eu” não pode buscar nem obter) não faz de nós infalíveis, nem perfeitos e sem defeitos. O verdadeiro iluminado não pretende carecer das debilidades próprias da sua condição humana. A iluminação não outorga autoridade alguma, por cima da amizade.
Digo tudo isto porque existe tal coisa como a iluminação e porque existe uma atitude menosprezável para com esta palavra, que deve cessar.
A Psicologia conhecida:
A psicologia como a conhecemos e tudo o que conhecemos é apenas e só o âmbito C. Esse estreito âmbito está dominado pela palavra, o número e o símbolo. Ali os seres humanos vivem constantemente e sem sair dele, como num eterno pesadelo. Nesse Âmbito C vivemos uma vida simbólica, imaginária, mas não a vida verdadeira. A vida verdadeira começa em B.
O âmbito C é funcional na ciência (como a conhecemos), mas para além do seu uso funcional torna-se conflituoso (com o seu medo, a sua raiva e tristeza repetitivos).
O pensamento não funcional é um pesadelo conflituoso, vivido na vigília.
Desse pesadelo (Âmbito C) sai-se apenas e só tentando viver em Percepção Unitária (Âmbito B).
O despertar do pesadelo constante do ser humano é começar a viver em Percepção Unitária.
Compreende-se a enorme importância do Âmbito B?
As diversas técnicas psicológicas CONHECIDAS, são um produto do pensamento e ajudam o observador a adaptar-se melhor ao pesadelo do âmbito C não funcional.
No entanto, a Percepção Unitária tira-nos do âmbito C, apesar de o abarcar.
Por isso é possível pensar e memorizar muito bem em Percepção Unitária.
Mas não é com o pensamento e a memória que entramos no âmbito B.
Não é possível ser psicologicamente livre nem conhecer o amor, a profunda inteligência ou alegria por nada até que se viva constantemente no âmbito B da Percepção Unitária.
A humanidade inteira está atulhada no âmbito C, ignorando o âmbito B, e por isso cresce a miséria económica, moral e espiritual.
A humanidade está escravizada pelo âmbito C e busca desesperadamente a solução para todos os problemas dentro desse âmbito que só pode criar problemas, mas não solucioná-los.
Os três âmbitos estão no nosso cérebro, no nosso corpo-mente, e por isso digo que a saída não é sair.
A saída é o âmbito B da Percepção Unitária.
É inútil tentar viver no âmbito A a partir do âmbito C, o conhecido.
A esse âmbito A sagrado não se entra por vontade própria, nem por controlo mental nem com droga alguma. Mas é possível tentar viver no âmbito B, que é onde se percebe frequentemente (com sorte) o âmbito A.
Não é possível entrar no âmbito A voluntariamente.
O acesso ao âmbito A ocorre desde o âmbito B.
A descrição da Percepção Unitária é, ao mesmo tempo, a maneira de estar nela. Escute bem isto: Percepção Unitária é perceber todo o perceptível ao mesmo tempo em completo silêncio mental. Se o ruído do pensamento não funcional persiste, então a Percepção Unitária percebe o pensamento como se fosse mais um som, em todo o som, que se está escutando ao mesmo tempo.
Não se necessita esforço nem complicação alguma para escutar completamente.
Se o amigo não o está fazendo agora mesmo, está adiando a Percepção Unitária.
Se comparamos a Percepção Unitária com qualquer coisa conhecida, estamos a abandonar o âmbito psicológico B para regressar ao familiar âmbito C.
Descubra por si mesmo, não permita que seja uma bela história de Ruben (este que escreve).
Necessitamos ganhar o pão decentemente sem saquear legal ou ilegalmente, sem vender armas nem bebidas alcoólicas, tabaco, estupefacientes, nem órgãos do corpo humano, nem crianças órfãs.
Mas o pensamento funcional que todos necessitamos para ganhar o pão não tem que ser algo problemático.
O medo, a raiva e a tristeza de ganhar o pão quotidiano vem quando o “conhecido” se quer multiplicar e ser “duplamente conhecido”. Isto ocorre quando queremos fama, status, prestígio, hierarquia, quando queremos ser “mais importantes que os outros”, quando queremos ser muito reconhecidos (duplamente conhecidos) para que nunca nos esqueçam e quando invejamos os que são reconhecidos. Aí começa o problema de ganhar o pão.
Mas observando bem em Percepção Unitária o problema deixa imediatamente de existir.
É importante compreender que quando aprendemos a definição da Percepção Unitária, esta é uma aprendizagem acumulativa que ocorre no âmbito C.
O que aprendemos, inevitavelmente passa a ser algo conhecido.
Mas no âmbito B começa uma aprendizagem NÃO ACUMULATIVA.
O âmbito psicológico B abarca o âmbito psicológico C, mas o inverso não ocorre.
Isto significa que estando em Percepção Unitária, posso falar desta ou ensiná-la a outros.
Mas o mais comum é que falemos da Percepção Unitária sem estar em Percepção Unitária, sem estar no âmbito psicológico B.
É preciso ter em conta que o âmbito C é tudo o que conhecemos e portanto o que nos é mais familiar.
Por isso digo que a humanidade vive na prisão psicológica do âmbito C e que mesmo saindo dessa terrível prisão, por estar alguns minutos em Percepção Unitária, o mais provável é que regressemos ao âmbito psicológico C.
O que fiz com os meus amigos e com a minha esposa foi um pacto para nos lembrarmos constantemente, uns aos outros, que existe o âmbito B, a mente em silêncio que escuta totalmente sem conflito e sem esforço.
Esse pacto é o mais importante do casamento e o mais importante de uma amizade.
Esse pacto pode degenerar em condenar o outro por não estar no âmbito Bom da Percepção Unitária, ou por continuar no âmbito Conhecido, do conflito.
Serve apenas para recordar mutuamente que existe um âmbito psicológico onde reina a paz profunda, uma paz sem raiva, sem inveja e sem o desejo de sobressair.
Lamentavelmente, a grande maioria dos seres humanos escutam desde o âmbito C e repetem por vezes este ensinamento, mas desvirtuado pela palavra, pelo símbolo e pelo número.
A inteligência do âmbito C não é suficiente para compreender o âmbito B.
É necessário mutar psicologicamente pela transformação do acto da percepção.
A Percepção Unitária deve começar, sem esforço. Isto é, há que perceber constantemente todo o perceptível ao mesmo tempo, em grande silêncio mental.
É muito difícil que se tome isto seriamente, dia a dia, minuto a minuto, dia e noite.
Não é possível conceber o âmbito B desde o âmbito C.
É preciso saltar para o âmbito B, coisa que só é possível em Percepção Unitária.
Este é o maior salto que a mente individual pode realizar de maneira voluntária.
Por isso o meu livro em Inglês se intitula “ O Grande Salto da Mente” ( The Great Leap of Mind).
No âmbito C só existe conflito grosseiro ou conflito subtil.
Quando recordamos o passado agradável existe grande conflito subtil degenerativo, mas aquele que não está em Percepção Unitária não se dá conta disto.
O pensamento inventa realidades paralelas à verdadeira realidade.
Por certo, o amigo terá escutado muitas narrativas chamadas “espirituais”, que se conhecem como “os caminhos da Nova Era”.
Mas a verdadeira realidade só se pode perceber desde o âmbito psicológico B, que é a Percepção Unitária.
A estrutura do nosso sistema nervoso faz com que exista um só caminho para a vida verdadeira: a Percepção Unitária.
Mas não é um caminho. Começa exactamente aqui mesmo, onde estamos, agora mesmo.
Estamos a fazê-lo?
A Percepção Unitária não é mais uma coisa na vida. É a vida.
O lamentável é que a humanidade, na sua maioria, prefere viver nas realidades inventadas pelo nosso próprio pensamento ou pelo pensamento dos outros.
Há uma fome de abstracções e narrativas filosóficas, ideológicas, literárias e metafísicas, que nos impedem de viver a vida verdadeira da Percepção Unitária.
A Percepção Unitária é a única maneira de se ser feliz naquilo que se faz, amando sem conflito, amando sem esperar ser amado.
A relação verdadeira só ocorre no presente imediato da Percepção Unitária.
Temos que deixar de imaginar a vida e começar a viver verdadeiramente agora mesmo.
Se nos perguntamos porque o ser humano não vive em igualdade económica com todos os seres humanos e porque não cessaram as guerras em 5000 anos de história escrita, temos agora a resposta: o ser humano não estava a funcionar com o cérebro todo.
O que vê é tudo o que há e nessa imensidade está o amor e a felicidade.
Poderíamos dizer que o que vê é a consciência universal.
A consciência universal vê-me pelos vossos olhos.
O pensamento inventa realidades paralelas, parciais, fragmentárias que são alheias ao que vê.
O que vê não tem nada que ver com o “eu” que o pensamento individual e colectivo inventou e que tem o nosso próprio nome.
O “eu” não vê, porque o “eu” não exerce nenhuma acção.
Dizemos “eu respiro”. Não é assim, o “EU” não respira, está a ocorrer a respiração.
Dizemos “eu durmo”. Não é verdade, o “eu” não dorme. O dormir ocorre. A insónia ocorre e não se consegue dormir por vontade própria.
Dizemos “eu cresço”. Também não é verdade.
Por isso é que o mais importante não é conhecer-se a si mesmo, mas sim apercebermo-nos por nós mesmos que o que vê está encoberto pelas imagens, símbolos e palavras que o pensamento inventa.
Uma função cerebral redescoberta:
Respirar e dormir são funções cerebrais inconscientes. Quer dizer, não são um produto do pensamento humano.
A Percepção Unitária é também uma função cerebral (consciente), que não é um produto do pensamento.
O Fundamento de toda a acção:
É possível falar, caminhar, tomar banho, trabalhar, calar-se, descansar, em Percepção Unitária.
Por isso dizemos que a Percepção Unitária pode ser o fundamento de toda a acção humana, se se intenta constantemente como uma maneira verdadeira de viver.
Define-se a Percepção Unitária como “dar-se conta de todo o perceptível, ao mesmo tempo, AGORA MESMO, sem nomear, sem comparar e sem esforço”.
Na definição de Percepção Unitária há, pelo menos, quatro elementos:
1) Dar-se conta implica que falamos do FACTO de se tomar consciência de algo.
Os conteúdos do inconsciente passam pela consciência, mas se não existe a paz sem dualidade nem eleição, quer dizer, se a Percepção Unitária não existe, essa mesma paz que permite ver as coisas como são, na mente, sem desejar transformá-las, também não seremos conscientes dos conteúdos do inconsciente que podemos perceber.
2) Todo o perceptível implica que não nos damos apenas conta de algo ou alguém, mas de TUDO o que passa pela consciência. Por exemplo: não se trata de escutar apenas os pássaros quando caminhamos num bosque, mas de escutar todos os sons que chegam ao ouvido, desde o cérebro.
3) Ao mesmo tempo implica que se queremos que o cérebro opere como uma unidade, expressando o seu máximo potencial, é necessário perceber tudo o que podemos perceber ao mesmo tempo.
Para isso não é necessário fazer esforço. Trata-se de uma maneira de viver.
O peso, o som e todo o campo visual podem ser percebidos ao mesmo tempo, em quietude e em paz.
4) AGORA MESMO implica o único momento em que a Percepção Unitária é possível.
Pensar na Percepção Unitária é adiar o FACTO da Percepção Unitária, que está ocorrendo AGORA MESMO ou não.
Na paz a todos os níveis, que a Percepção Unitária imediatamente gera, está a necessária mutação psicológica.
Então começa uma forma de viver, ver e escutar que não conhecemos.
São as palavras com que interpretamos O FACTO de ver e escutar ao mesmo tempo, que impedem ver e escutar dessa nova forma: AO MESMO TEMPO.
Uma ciência sem precedentes:
No século XX começa, em 1905, com a publicação da Teoria da Relatividade de Einstein. Isto move o mundo científico.
De Broglie fala em 1922 do paradoxo quântico: o electrão é partícula e é onda ao mesmo tempo.
Na década de 50 aparece o holograma, uma tecnologia fotográfica que confirma a relatividade do espaço-tempo.
Isto dá lugar ao aparecimento, em neurologia, da memória holográfica ou holonómica apresentada por Karl Pribram.
A memória está em todo o cérebro e não num centro cerebral chamado “engrama”.
Também na Física aparece David Bohm com a sua teoria da Holokinesis (o holograma do cosmos em movimento e não fixo no plano).
A Holokinesis, diz Bohm, é o movimento que está ocorrendo em todo o cosmos desde aqui até aqui, entre a Ordem Explicada da Matéria-Mente-Energia e a Ordem Implicada (aqui mesmo) da Matéria-Mente-Energia.
Bohm concebe a Criação de maneira científica, pela primeira vez na história escrita.
Com tudo isto, muda a interpretação da Matéria, da Mente e da Energia.
A Mente pode agora conceber-se como a interface (universal) entre a Matéria e a Energia Universais.
A Mente é tão Universal como a luz (energia) e como o sódio (matéria).
Muda a noção de Movimento, que apesar de ser daqui até ali, agora pode ser daqui até aqui.
Isto revoluciona a interpretação científica do Tempo, que agora é irrelevante, como descobre David Bohm, apesar de ser absoluto para Newton e relativo para Einstein.
Nova definição de “Mente”:
É preciso redefinir a palavra “Mente”.
Agora a mente não é apenas o produto da interacção entre o observador e o seu ambiente desde o útero até a morte.
Agora a mente é também Percepção Unitária, quer dizer, o contacto consciente do cérebro com a energia da Holokinesis.
Sigmund Freud falou-nos da Memória Epigenética. Agora tem que se falar da Mente genética, homeostática, perinatal, epigenética e Holokinética.
E a mente Holokinética é a Percepção Unitária.
Agora cabem na Psicologia Científica os conceitos de Duas Ordens Mentais, Implícita e Explícita, e de Três Âmbitos Mentais: C, B e A.
A Ordem Implícita não é o Inconsciente.
O Pensamento é 99% inconsciente e incoerente, como a memória e o “eu”.
Mas a Percepção Unitária é somente consciente na vigília.
E é parte do Sono S-4 no sono – Mol-4.
O professor David Bohm escreveu em 1984, uma introdução para o meu segundo livro “ A Percepção Unitária” – Editorial Orión, México.
Esse ano foi um ano muito agitado na minha vida pessoal, acabei por esquecer essa introdução e o livro publicou-se sem ela.
No início do ano 2000, 16 anos depois, o amigo Luís Córdova, redescobriu essa introdução de cinco folhas, que finaliza assim:
“Quando comecei a investigar em novas áreas, colaborei com Albert Einstein e conheci Jiddu Krishnamurti. Trabalhei como Decano da Escola Secundária que ele fundou em Brockwood Park, perto de Londres.
Comecei a observar o funcionamento da mente e não só o mundo da Natureza.
Na realidade temos que ir muito mais longe que o reino da Física Quântica ou do pensamento científico em geral, à questão mais fundamental do que é e do que constitui o processo de pensar.
Dei-me conta das maneiras como o pensamento fragmentário toma forma e da quase imperceptível tendência a crer que estas divisões se correspondem com a estrutura actual da realidade.
A minha tese é um novo ponto de partida para um estudo real da relação entre consciência e pensamento.
O aparecimento da obra escrita do Dr. Ruben Feldman González constitui uma inovação no campo da psicologia. Esta obra lida com as ordens implícita e explícita da realidade e de como se relacionam com a psicoterapia, com a educação e a relação humana em geral.”
David Bohm – 1984.
A necessária ilusão do “EU”
O pensamento produz o “eu” para dar continuidade à memória.
O “eu”, como o pensamento e a memória que lhe dão origem, é maioritariamente inconsciente e incoerente.
No “eu” inconsciente latem o assassino e o suicida, como se vê no artigo “O Pensamento Assassino”.
Com o aparecimento do “eu” nasce a origem de todo o conflito.
Chamamos “conflito horizontal” a esta emergência, que definimos como a crença de que o observador está inexoravelmente separado do observado.
O “Eu” pode fazer-nos cair no imenso erro de crer que a Percepção Unitária é apenas mais um conhecimento.
Assim, o âmbito C, substitui o âmbito B o que impossibilita a vivência real da Percepção Unitária. Isto, lamentavelmente, por ser familiar para o sistema nervoso central, ocorre muito frequentemente, mesmo depois de um seminário de Percepção Unitária ou de se ler a literatura recomendada.
Nova Visão do Pensamento:
1) A complexidade do âmbito C explica-se quando falamos do Processo M.E.T.A. – Mnemónico, Eidético, Tímico e Autónomo, que é uma nova visão de como funciona o nosso pensamento individual e colectivo.
2) Este novo estudo do pensamento complementa-se com o facto da Percepção do pensamento ser Fragmentária, algo necessário para a sobrevivência sobre a terra.
3) Compreende-se como o pensamento individual e colectivo, consciente e inconsciente, é uma forma de hipnose, analisando a “Experiência de Bernheim”.
No meu livro “La Percepción Unitaria”, incluí um dialogo que tive com uma professora de Caracas, Venezuela, intitulado “Dialogo con una Princesa”, onde se vê claramente como um simples poema aprendido na infância, pode condicionar um indivíduo hipnoticamente, para viver toda a sua vida (devastadoramente) em concordância com esse mesmo poema.
Apenas podemos imaginar como as canções populares, a música, as palavras dos nossos pais, avós e professores, os filmes que vimos, etc., condicionam e limitam as nossas vidas
Isto comprova-se vivendo em Percepção Unitária, à medida que vamos vendo, dia-aadia e de instante em instante, cada um dos nossos condicionamentos hipnóticos: o nacionalismo, as crenças, as ideologias e todas as formas de divisão entre os seres humanos.
4) Estuda-se o paradoxo e a comparação, como parte inexorável do pensamento. Mesmo que se compare correctamente a Percepção Unitária com algo conhecido, esse acto de comparação confina a Percepção Unitária ao âmbito C, como um mero pensamento.
Mas a Percepção Unitária pode ocorrer realmente e somente no âmbito B.
5) Através de um gracejo de Jiddu Krishnamurti vemos que o pensamento pode responder a qualquer pergunta, com ou sem compreensão desta, com ou sem integridade moral:
“Um indivíduo pergunta a um computador: - Deus existe?”
O computador avaria-se.
Depois do computador reparado, repete-se a pergunta.
“Agora sim” responde o computador.
6) O âmbito C é o único que estuda a Psicologia como a conhecemos.
7) Já nos referimos ao Conflito Horizontal do pensamento.
O Mito da Centelha Divina:
A crença numa centelha divina dentro do observador, faz pensar no “EU” como parte dessa mesma centelha.
Assim se crê que “o pensamento vem do observador”.
O pensamento foi enormemente sobrevalorizado.
Na realidade o pensador é um produto do pensamento.
Em Percepção Unitária existe pensamento mas não um pensador.
Isto não significa que não haja uma Centelha Divina em nós. Simplesmente significa que não há acesso a essa Centelha Divina através do Pensamento.
Quando não ensinar Percepção Unitária.
Alguém que sofra de atraso mental não compreende a Percepção Unitária.
Alguém que sofra de esquizofrenia não compreende a Percepção Unitária.
Em casos de Défice de Atenção e de Depressão Unipolar ou Bipolar, é necessário que a pessoa seja acompanhada com tratamento médico, antes de tentar compreender a Percepção Unitária.
O atraso mental existe em 3% da população.
A esquizofrenia em 1% da população.
Isto significa que 96% dos seres humanos podem reaver a Percepção Unitária.
O Stress e a Percepção Unitária:
O stress laboral (excesso de trabalho), o stress matrimonial (relação conjugal conflituosa), o inevitável stress inter-pessoal, que surge de se viver numa sociedade baseada no proveito financeiro, na fraude, na venda de armas e na necessária invenção de inimigos para vender armas, o stress por negligenciar o sono e não dormir as 9h diárias necessárias para manter a saúde, a falta de exercício racional e uma alimentação irracional (stress biológico), diagnosticam-se graças à Percepção Unitária.
O intento da Percepção Unitária por uma pessoa sob stress pode dar no seguinte:
Sonolência
Cefaleia
Formigueiro
Palpitações
Se, ao intentar a Percepção Unitária, se reconhecer um ou mais destes sintomas, é necessário planear racionalmente a redução do stress.
Se não se reduzir o stress, este complica-se com uma ou mais das seguintes doenças:
Gastrite
Pressão Arterial Alta
Artrite
Baixa Imunidade
Benefícios da Percepção Unitária:
O primeiro benefício da Percepção Unitária é o contacto total e sem distorção com a realidade.
O intento de viver em Percepção Unitária traduz-se imediatamente numa profunda paz e num relaxamento não procurado. Termina o conflito.
Melhoram, nessa paz, todas as relações pessoais e inter-pessoais.
O corpo regenera, aumentam a energia acessível, a imunidade e rejuvenescem todas as funções fisiológicas.
Podem inclusive curar-se algumas doenças. Existem casos de cura de gastrite, artrite, hipertensão, sinusite e alergia respiratória.
Estamos a estudar a recuperação de Enrique Rodriguez de Mexicali, que sofria de uma doença incurável.
Despertam-se centros cerebrais que deixaram de actuar por fala de uso.
A actividade desses centros conhecia-se na Índia como “Siddhis”.
A professora Pupul Jayakar, uma conselheira de Indira Gandhi, biógrafa de Jiddu Krishnamurti e Doutorada em Estudo Comparativo das Religiões, disse na Índia, que a Percepção Unitária é o Maha Raja Yoga, o maior e mais elevado dos Yogas.
A Percepção Unitária como Psicoterapia
Trata-se de ensinar a transição do âmbito C para o B.
É importante viver em Percepção Unitária, antes de tentar ensiná-la.
A educação teórica holokinética sobre a Percepção Unitária pode ser necessária quando o paciente resiste com racionalizações do tipo: “Isto é estúpido, demasiado simples, não tem relação com o meu problema nem com a minha vida”.
Convém fazer um contrato assinado, no qual o utente se compromete a participar num mínimo de 12 sessões de Percepção Unitária, deixando bem claro que não se trata de uma técnica mas de uma forma de vida integral, compassiva, responsável e pacífica, na qual o medo e a hostilidade inter-pessoal se vão vendo diariamente em Percepção Unitária.
Pede-se ao utente que faça pactos com o seu conjugue e seus amigos, para se ajudarem mutuamente a viver em Percepção Unitária. Esse pacto é o mais valioso de um matrimónio ou de uma amizade.
Em sessões de 45 minutos não se estimula a narrativa pessoal, procura-se o silêncio mental, sem linguagem pensada e falada e a Percepção Unitária.
Evita-se a linguagem egocêntrica (vamos alcançar a Percepção Unitária), hipnótico (há que pensar positivamente), temporal (amanhã vamos conseguir).
Temos que fazer com que esta nova linguagem seja a nossa linguagem em Psicologia, já, de contrário estaremos a contribuir para a confusão que reina nessa terra de ninguém que é a Psicologia actual.
A linguagem que usamos é bastante polida do ponto de vista semântico e epistemológico.
A linguagem foi confirmada pela experiência pessoal de muitos investigadores, incluindo este que escreve. Isto faz com que seja precisa e simples. Mas essa simplicidade surge de muitas e profundas compreensões científicas, epistemológicas, exegéticas e vivenciais.
Sem estas compreensões, uma linguagem simples como a da Psicologia Holokinética, pode ser usada de maneira inadequada pelo neófito.
A nossa linguagem tem de estar sintonizada com a Percepção Unitária, que é a acção mais importante e a menos conhecida da mente humana.
Também temos que ver a nossa resistência ao uso da nova linguagem, condicionados pela velha linguagem incoerente da Psicologia do séc. XX.
Desde 1986, utilizamos uma nova definição da palavra “mente”, como vimos anteriormente.
Ensino Percepção Unitária em todo o planeta através de convites universitários.
É necessário descrever a Percepção Unitária depois de tê-la vivenciado. É nosso costume conformar-nos com rápidas definições intelectuais ou com meras comparações entre factos conhecidos.
Lamentavelmente, a Percepção Unitária é um facto excluído da cultura e da educação em todo o planeta. A Percepção Unitária é uma mente nova, uma mente de grande energia e paz, uma mente que não inventa inimigos para vender armas. A Percepção Unitária é uma nova maneira de viver, não é um mero exercício ou uma mera técnica, como esses exercícios e técnicas que se vendem no supermercado chamado “espiritual ou metafísico”. A Percepção Unitária pode ser a base de uma nova psicoterapia, na qual o desconhecido ingressa agora mesmo, quer dizer, essa nova psicoterapia não se baseia na memória, no conhecimento, no exercício e em técnicas especiais, mas sim no contacto de ir percebendo em silêncio todo o perceptível ao mesmo tempo, agora mesmo.
Nos últimos trinta anos viajei por todo o mundo para falar de Percepção Unitária e para iniciar grupos de exploração para descobrirem juntos o que é e o que não é a Percepção Unitária.
Exames
Depois dos cursos e seminários que transmito é possível fazer um exame não obrigatório, que não tem a pretensão de saber se alguém vive em Percepção Unitária.
O exame serve apenas para avaliar a capacidade de falar sobre o tema com a linguagem adequada para aquele que se deu ao trabalho de estudar as bases da Percepção Unitária.
É possível um diálogo mais preciso e claro quando se usa uma linguagem adequada sobre um tema qualquer, mas sobretudo quando falamos do mais importante da vida.
O exame permite-nos saber com quem é possível dialogar seriamente sobre Percepção Unitária.
Medidas como esta serão necessárias à medida que a Percepção Unitária vá penetrando na educação e na cultura.
É imperativo impedir que a percepção fragmentária, na qual se baseiam a cultura e educação actuais, distorça a Percepção Unitária e a transforme em mais um mero conhecimento.
A Percepção Unitária não é mais um mero conhecimento. É a vida verdadeira.
Objectivo:
O motivo da Percepção Unitária é desencadear a Psicotransformação Perceptual Global, ou a mutação psicológica, que seja compatível com a vida verdadeira.
Nesta forma de vida o stress diminui, aumenta o silêncio e o amor ao silêncio, a austeridade e a simplicidade tornam-se voluntárias e felizes, escutando com a mente sem linguagem desnecessária (falada ou pensada), procurando a paz e seguindo em paz, sem ansiedade e sem esforço, em júbilo por nada.
Trata-se de assumir completamente o exercício da inteligência, o que permite à pessoa transformar-se num indivíduo (indiviso, íntegro), vivendo em Percepção Unitária, quando o pensamento e a linguagem não são necessários para actuar, operar e predizer.
A vida em Percepção Unitária é até à morte. De momento em momento.
Esclareço que não se busca o âmbito A (o sagrado), o qual só chega quando se vive constantemente no âmbito B, da Percepção Unitária.
O terapeuta deve ser capaz de ver claramente e compreender a contra-transferência, em forma de atracção sexual, rejeição ou indiferença. Isto acontece mais quando a pessoa não participa do acto terapêutico de maneira responsável e portanto, não melhora.
Sessões Ulteriores:
Entre as coisas que se vão vendo aparece a “imagem de si mesmo”, a invenção do que e do como sou: “irritável”, “irado”, “tímido”, “triste”, “falador”, “intrometido”, “lacónico”, “teimoso”, “mexicano”, “bósnio”, “negro”, “católico”, “comunista”, “muçulmano”, etc.
Estas imagens são parte do conflito horizontal individual e colectivo, que se manifesta como medo, raiva, hostilidade, mexericos, tristeza e finalmente as guerras incessantes: as guerras napoleónicas, as guerras civis, as guerras entre vizinhos, a guerra do ópio na China, a primeira guerra mundial, a segunda guerra mundial, a guerra fria, Coreia, Vietname, Santo Domingo, Guatemala, Cuba, Granada, Panamá, Angola, América Latina, ex-Jugoslávia, Iraque, Ruanda, Congo e as constantes guerras do séc. XXI, desta vez contra um indefinível inimigo, o “terrorismo.”
Convém dialogar sobre a frase: “Sobra o que sou, o que fui e o que serei.”
A constância diária no intento da Percepção Unitária, na sessão, mas também fora dela, reduz o stress, aumenta a imunidade à constipação e às infecções, provoca a regeneração do organismo, assim como o rejuvenescimento.
Também aumenta enormemente a energia e os idosos chegam a dizer, depois do primeiro intento de Percepção Unitária: “senti a paz e a grande energia orgânica PELA PRIMEIRA VEZ NA MINHA VIDA”.
É preciso aprender a viver sem o símbolo desnecessário, sobretudo a palavra pensada.
A mente silenciosa pode escutar tudo ao mesmo tempo, profunda e completamente.
“A memória e o pensamento desnecessários aparecem cada vez que deixamos de viver em Percepção Unitária.”
Isto ocorre muitas vezes durante o dia.
A energia é necessária para viver em Percepção Unitária.
É preciso dialogar sobre tudo aquilo que, por falta de disciplina e inteligência, esgota a nossa energia: excessiva ou má alimentação, stress laboral, dormir pouco, drogas, tabaco, álcool, ver televisão compulsivamente, usar a Internet sem medida, jogar videojogos e até mesmo o excesso de conversa ou falatório insignificante. Isto é mais perceptível nos 7 dias anteriores à menstruação da mulher, na constipação ou gripe, na anorexia e na obesidade.
É preciso dialogar sobre a falta de espaços de silêncio na nossa vida diária.
Jiddu Krishnamurti aconselha construir uma divisão na casa onde só exista silêncio.
O Ensinamento da Lagarta:
A Percepção Unitária é o começo de uma profunda Psicotransformação Global, de imenso benefício.
Esta transformação psicológica é invisível no ser humano e não se pode expressar em palavras já que é demasiado grande para elas.
Na natureza ocorrem transformações visíveis, como a lagarta que se torna borboleta no casulo.
Podemos dizer que a Percepção Unitária é o casulo psicológico invisível em que ocorre a grande transformação psicológica do ser humano.
E como a lagarta, o ser humano não se transforma num super-homem, tal como a lagarta não se transforma numa super-lagarta. Transforma-se em algo muito diferente do que era.
A lagarta não tem hierarquias, como não as tem o homem sério que quer esta necessária transformação.
A lagarta não vai atrás da borboleta. O homem que quer a sua transformação não segue o homem transformado.
Não há transformação gradual, ela é imediata.
É necessário o casulo para a lagarta e é necessária a Percepção Unitária para o ser humano que se quer transformar.
A transformação deve ocorrer ANTES da morte.
Não há alternativas. Para a lagarta está somente o casulo. Para o ser humano está somente a Percepção Unitária.
Somos o caminho, a verdade e a vida, como disse Jesus Cristo.
Tendo ouvidos não ouvimos e tendo olhos não vemos, disse Jesus Cristo.
A saída do pesadelo que o homem fez da sua vida, não é sair.
A saída é a Percepção Unitária.
Disse no meu livro “La Percepción Unitaria”:
A verdadeira libertação vai mais além da necessária libertação do “terceiro mundo” (dos países subdesenvolvidos), é uma libertação sensorial, uma libertação que destrói os currais ideológicos, religiosos, políticos, nacionais, filosóficos, conductuais e emocionais. A libertação perceptual que denominamos “PERCEPÇÃO UNITÁRIA” transforma rapidamente a mente em algo insuspeitável.
Essa transformação é a libertação global do ser humano.
Ler a Obra Escrita de RFG
Completa e repetidamente.
1- Se não se faz isto não se compreende a diferença entre os âmbitos neurofisiológicos B e C.
2- Não se compreende a subtileza do tempo e da identidade.
3- Não se vê a Percepção Unitária sob os pontos de vista de todas as actividades humanas e de todas essas linguagens.
4- Não se aprende a expressar as ideias necessárias sem as distorções do egocentrismo, sem temporalidade e sem influência da hipnose.
5- A segunda leitura do mesmo texto mostra coisas novas, como sucede com qualquer livro, mas sobretudo com a Obra da Percepção Unitária, na qual TUDO é novo, inclusive a compreensão do velho.
6- Esquecem-se facilmente palavras e factos chaves para a compreensão, e portanto o intento da Percepção Unitária “dilui-se” e vai diminuindo em frequência. Não se recorda que se deve escutar e ver ao mesmo tempo, ou que não é algo que se obtenha, mas sim que ocorre no agora.
A leitura completa e repetida fortalece o intento e a compreensão.


